Marimoon, fotolog e pós-feminismo

Em pose de coelhinha. Fonte: <fotolog.com.br/marimoon/87002623>

Nesse sábado (12), estarei apresentando um trabalho no Intercom Nordeste 2010, sobre a usuária do fotolog MariMoon, e como ela poderia ser um exemplo do que Angela McRobbie vem chamando de pós-feminismo. Desse modo, argumento como um novo regime de gênero, baseado numa negação de antigas bandeiras defendidas pelo feminismo surgido nos anos 1960, na auto-afirmação como mulher desprovida de qualquer discurso político coletivo, representa uma parcela dos usuários da internet – nesses sites de compartilhamento de conteúdos.

McRobbie, em seu livro The Aftermath of Feminism: Gender, Culture and Social Change, sugere que, com a ajuda das bandeiras de liberdade e escolha que agora estão conectadas com as jovens, o feminismo parece ser redundante. O pós-feminismo atua para instalar todo um repertório de novas significações que enfatizam que o feminismo não é mais necessário – ou, ainda, que é uma força perdida. Há um tom individualista nos problemas, dúvidas e anseios das mulheres, quando se nega uma busca direta por um bem coletivo – mas sim uma busca que se dá de forma indireta, não-intencional, onde o bem-estar de um indivíduo pode ocasionar melhorias para um conjunto.

Dessa forma, percebe-se um deslocamento do feminismo como um movimento político. Pois Para ser uma jovem, é necessário este tipo de denúncia ritualística que nega o feminismo como uma estratégia de ação; inclui o feminismo no passado e o marca como pertencente a outra geração; logo, está “ultrapassado”.

E o que isso tem a ver com MariMoon? A dona do fotolog mais popular do Brasil, com 60 mil visitantes por semana, tem um discurso baseado na auto-afirmação, de uma necessidade sua de se representar perante a uma rede de contatos/fãs. Na minha análise de sua página, as discussões giraram em torno da cor do cabelo ou da beleza de MariMoon.

Suas fotos Fotos tem um forte apelo ao corpo. Para McRobbie, tal comportamento endossa a irônica “normalização” da pornografia. Ou seja, se auto-afirmando como mulher, sem recalques de transparecer sua sensualidade, sua sexualidade, ela quebra tabus e indiretamente proporciona conquistas para o público jovem que a admira. E isto se apresenta como uma prova de sofisticação e de se parecer agradável a um público jovem, na qual ela se comunica em seu fotolog; como uma busca por ser “cool”. Pois os comentários se repetem em elogios à sua beleza e ousadia, em todos os posts.

A mulher admirada nessa rede assume suas ansiedades, sua vida particular; evita qualquer representação erótica de si e aproveita sua sexualidade sem medo, longe dos padrões sexistas tradicionais. Daí residem as características de gênero naquilo que McRobbie conceitua do que pode ser o momento contemporâneo da representação da mulher. Tendo se inserido na internet, a mulher nega essa competência atribuída pelo feminismo em se representar enquanto ser político, histórico. Negar isto torna-se essencial, ainda que propostas de direitos de expressão da mulher possam ser conquistados através de ações de usuárias inseridas nessa cibercultura de compartilhamento de fotografias.

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