Lançamento do livro “Performances interacionais e mediações sociotécnicas”

O livro Performances interacionais e mediações sociotécnicas (EDUFBA, 2015) fará parte do Lançamento Coletivo no Festival de livros e autores da UFBA, que ocorrerá na quinta-feira (11), no Palacete das Artes Rodin Bahia – Graça. Organizado por mim em parceria com José Carlos Ribeiro e Paulo Victor Sousa, a obra explora uma variável importante no estabelecimento de trocas sociais na contemporaneidade: a interveniência das mediações sociotécnicas nas atuações em rede e nas práticas interacionais associadas.

Capa do livro, que sai pela EDUFBA.

Capa do livro, que é editado pela EDUFBA.

Os textos que compõem a obra compactuam com as propostas apresentadas nos livros gerados em edições anteriores do evento, Práticas Interacionais em Rede (2013) e Mídias Sociais: Saberes e Representações (2012), criando assim uma coleção de trabalhos que problematizam de que maneira os ambientes digitais, em particular os Sites de Redes Sociais (SRS), os jogos multiplayer on-line, os blogs e as páginas pessoais na internet, são costumeiramente apropriados por empresas, indivíduos e coletivos, estabelecendo performances interacionais e, assim, constituindo espaços sociais de convívio.

Para darmos conta dessas problematizações, Performances interacionais e mediações sociotécnicas é resultante de uma seleção das principais discussões que aconteceram por ocasião do III Simpósio em Tecnologias Digitais e Sociabilidade (SIMSOCIAL), realizado em 2013 na Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob promoção do Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS). A seleção aqui feita está dividida em quatro eixos discursivos: (1) Corpo, subjetividade e identidade; (2) Circulação de informação em redes sociais; (3) Produção de conteúdo e articulações coletivas na internet; e (4) Interação e práticas cognitivas em ambientes eletrônicos.

Ao todo, dezesseis textos compõem o referido livro, que será lançado no evento promovido pela EDUFBA. Na ocasião do seu lançamento, 20 obras de diferentes áreas do conhecimento estarão disponíveis para a venda com 50% de desconto e um representante de cada obra ficará à disposição para autógrafos. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site da Editora: http://www.edufba.ufba.br/2015/05/festival-de-livros-e-autores-da-ufba/

Anúncios

Livro Realidade Sintética

Capa do livro, lançado em julho desse ano

Participei desse ano do projeto do livro Realidade Sintética: Jogos Eletrônicos, Comunicação e Experiência Social, organizado pelos amigos Thiago Falcão e Luiz Adolfo de Andrade, ambos pós-graduados pela UFBA. O livro reúne reflexões de grandes nomes nacionais do campo da Comunicação e internacionais do campo dos game studies. Participei traduzindo um dos artigos dentre aqueles convidados estrangeiros – Playing as Players, de Torill Mortensen.

O mesmo trata-se de uma contribuição importante para a área pois aborda questões metodológicas na compreensão dos usuários de Multi-User Dungeons (MUDs), no que tange à forma como estariam situados em um contexto situado da narrativa do jogo, que enquadraria as ações principalmente de duas maneiras: no modo como podem interferir na narrativa construindo novos argumentos para reforçar algumas situações ou personagens; e no modo como estariam interagindo com os demais usuários, através de recursos possíveis e de um vocabulário inerente ao contexto.

Divisão

O livro está dividido em três partes: Jogos Eletrônicos e Redes Sociais – com contribuições de Raquel Recuero, Simone de Sá, Nelson Zagalo,  Tarcízio Silva e Marcel Ayres; Jogos Eletrônicos e Experiência Urbana – com contribuições de André Lemos, Markus Montolla, Annika Waern e Christy Dena; e, finalmente, Mundos Virtuais, com colaborações de Suely Fragoso e do artigo de Mortensen no qual traduzi. O intuito principal foi criar um conjunto de trabalhos que envolvessem não só video games,  mas em especial dinâmicas de sociabilidade e apropriação empreendidas nestes, além de preencher uma lacuna existente quando o assunto é bibliografia em língua portuguesa sobre o tema.

O livro está à venda na loja virtual da Livraria Cultura. Cópias também podem ser adquiridas com Luiz Adolfo (luizadolfondrade@gmail.com).

A câmara clara

Fui convidado por um editor do Jornal da Cidade (SE) para escrever sobre um livro que estava lendo. Tratava-se de um texto que deveria ser escrito com uma linguagem menos acadêmica (digamos), e que de alguma forma aproximasse o leitor às discussões do autor, numa forma de atraí-lo à leitura do mesmo. Como se trata de uma publicação restrita a um estado, reproduzo aqui uma versão que enviei para o jornal, sobre o livro A Câmara Clara (1980), de Roland Barthes.

Após grande atraso para iniciar essa leitura, o que já estava virando uma dívida minha para com um autor tão caro para a área da fotografia, acabo de ler esta que seria a última obra de Roland Barthes antes do seu falecimento, em 1980.

Vemos nesse livro um autor tomado pela trágica notícia ainda recente da morte da sua mãe. A partir de uma escrita quase biográfica, ele parece tomar o ocorrido como um dos motivos para refletir de que forma as fotografias, e certos detalhes observáveis e apreendidos na observação, são fundamentais para remeter a todo um imaginário que construímos das pessoas, das situações e dos lugares.

Barthes não se posiciona como um erudito que estaria inferindo sobre grandes narrativas fotográficas, mas como certas imagens passam a ter um papel tão importante em nossas lembranças, que estão baseadas nas experiências que temos com esse mundo aí fora. Sendo assim, ele toma para si a imagem de sua mãe ainda muito nova, encostada em uma ponte, como talvez uma das melhores referências que possuía no momento para lembrar daquilo que considera essencial em sua mãe: a afirmação de uma doçura que nunca se perdeu.

Se tentarmos refletir o que o autor procura tratar tendo em vista nosso imaginário, podemos comparar as fotografias que nos deparamos continuamente, ao abrirmos os jornais ou acessarmos algum site noticioso, com aquelas que assumem uma importância fundamental na nossa subjetividade; como um retrato dos nossos pais ou a obra de um fotógrafo que vai nos atingir durante toda a vida.

Livro: Structures of Image Collections

Essa semana terminei de ler Structures of image collections: From chauvet-pont-d’arc to flickr (2008). Achei interessante pontuações levantadas pelos autores do livro, Howard Greisdorf e Brian O’Connor, no qual examinam historicamente o imenso número de imagens que indivíduos colecionam, bem como as muitas maneiras diferentes de coleções que podem ser organizadas e geridas.

Por que nós colecionamos, como nós colecionamos, como usamos essas coleções, e como vamos construir, manter e acessar coleções de imagens são as questões centrais desse livro. Trata-se de uma abordagem interdisciplinar, cujos autores percorrem bases semânticas, semióticas e sintáticas para explicar como é possível definir, descrever e contextualizar as imagens colecionadas, servindo estas assim como forma de registro de nossas passagens no tempo e espaço – de que modo nos representamos em nosso ambiente, e como isto perdura através dos séculos.

Os seres humanos sempre tiveram uma tendência para colecionar imagens; isto remonta a 30 mil anos atrás, quando os desenhos nas paredes de cavernas serviam para evidenciar a experiência cotidiana. O desafio hoje é que há uma grande disponibilidade – e em outros casos restrições – para visualização de imagens, como também para sua produção. Por conseguinte, dizem O’Connor e Greisdorf, o ato de colecioná-las já não pode ser o resultado de processos para esta finalidade enraizados em metodologias antiquadas. Por isto, eles apresentam essa abordagem interdisciplinar dos princípios, práticas e sistemas cognitivos subjacentes à categorização e gestão de imagem.

O livro está dividido em cinco partes, que por conseguinte se subdividem em capítulos: (1) na definição da natureza das imagens; (2) questões da linguagem inerente a cada imagem; (3) descrevendo como as imagens são colecionadas, incluindo aí o ato de inserção de dados como etiquetas (tags); (4) explicando como as imagens são absorvidas pelo público; (5) e questões futuras inerentes aos mecanismos de armazenamento e de acesso, como a partir da internet e da digitalização na produção de imagens. Cada argumento parte de uma perspectiva histórica sobre o tema e se apóia em uma investigação através de casos reais e exemplos com fotos produzidas pelos próprios autores e amigos.

Gostei da leitura, pois se trata de uma obra cuja abordagem é sobre como é possível compreender que, historicamente, os seres humanos sentiram impulso por estruturar as imagens produzidas de modo a criar referenciais identitários de si e dos seus grupos, como também para facilitar o entendimento da relação de si com o entorno – quer seja através de coleções individuais, museus de arte contemporânea, clubes de fotografias ou em redes de compartilhamento de imagens na internet. Ou seja, a necessidade por colecionarmos imagens é desde que passamos a criá-las, e passará pelas redes sociais, a exemplo do Flickr – o caso mais recente estudado pelos autores.