Questionário sobre a fotografia e o uso do Instagram

Nas próximas semanas, estaremos disponibilizando o questionário abaixo sobre o uso do Instagram por jovens na faixa etária de 18 a 29 anos. Este faz parte de minha pesquisa de doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia, sob a orientação do professor doutor José Carlos Ribeiro, e visa investigar as formas de utilização do aplicativo e as compreensões sobre a fotografia e as tecnologias digitais móveis nas relações sociais. Nesse sentido, buscamos saber sua opinião pessoal frente a este assunto.

Se você possui o Instagram e está na faixa etária que compreende a pesquisa, responda ao questionário abaixo; não leva mais do que 15 minutos. Os dados gerados por este levantamento serão analisados preservando o anonimato de todos os participantes.

Além de respondê-lo, você pode também colaborar na pesquisa divulgando a página: www.gitsufba.net/pesquisainstagram .

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Evento discutirá representação, memória e identidades na fotografia

Recebi nessa semana a convocatória para o V Theoria, evento a ser realizado em agosto, no Museu do Homem do Nordeste, em Recife; pela primeira vez ocorrerá um simpósio em paralelo acerca do futuro do passado da fotografia. A convocatória foi enviada a um mês do dia limite de envio de trabalho. Aliado a participação no evento, também ocorrerá a publicação de uma edição da revista Ícone sobre o mesmo tema, com uma seleção dos trabalhos trabalhos submetidos ao Theoria.

Abaixo, reproduzo a chamada:

O Museu do Homem do Nordeste, MuHNE, vinculado à Fundação Joaquim Nabuco – FUNDAJ, está preparando para agosto de 2013 a V edição do THEORIA. O evento, que acontece desde 2009, é dedicado à reflexão e pensamento acerca da fotografia como protagonista da prospecção e construção social da imagem. Para este ano, o tema geral do encontro será futuro do passado do Nordeste, com a presença de nomes e autores de referência nacionais como principais conferencistas de modo a ancorar o encontro. (Em breve, serão confirmados os nomes).

Em adição, o V THEORIA inaugura uma parceria e um formato inéditos: juntamente com o Programa de pós-Graduação em Comunicação da UFPE, PPGCOM; organiza a convocatória da Revista Ícone No. 15. Editada pelo PPGCOM desde 1995, foi reformulada recentemente, sendo agora totalmente voltada para o campo do visual. A parceria do MuHNE-FUNDAJ/ PPGCOM – UFPE, Será, no caso, um processo casado à submissão de trabalhos para o V THEORIA concomitantemente aos painéis, projeções de portfólios e curso que compõem o encontro.

O núcleo temático para a convocatória da Ícone é Futuro do passado: representação, memória e identidades na fotografia. Assim, os trabalhos selecionados para o congresso, quando do acontecimento do mesmo, já estarão publicados no novo número, a ser editado até agosto de 2013.

Futuro do passado é a provocação inicial, no sentido de se debruçar sobre eixos de permanência assentes no debate histórico e epistemológico da fotografia diante do dilema que contrapõe tanto a continuidade e elementos residuais de práticas e saberes, como as rupturas e emergências que o regime visual contemporâneo, ora recuperando e potencializando modelos, ora superando-os. A premissa é que deste choque nascem condicionamentos diretamente implicados nas elaborações das formas de representação, da construção da memória e de identidades justapostas ao processo fotográfico.

Os eixos de estímulo desta convocatória THEORIA/ÍCONE buscam estabelecer um debate gregário acerca das apropriações da fotografia, seja como meio próprio, ou em dialogia com outras interfaces expressivas, documentais ou representacionais.

1 – Quais tipos de processos/práticas têm se consolidado como resultado e que eram inexistentes?

2 – O que reúne/distingue esses diferentes processos?

3 – Quais as condições de criação de um discurso visual acerca de um futuro da fotografia em diálogo com seu passado?

4 – Em que sentido essa fotografia permite introduzir inovações, atenuar, superar, ou ainda reforçar articulações que elaboram a triade de representações/ memória/ idendidades?

Os trabalhos submetidos devem abordar aspectos teóricos e/ ou estudos empíricos, podendo ter um caráter descritivo, exploratório ou ensaísta. Demais trabalhos, fora do tema da convocatória podem ser enviados, no caso de aprovados, serão publicados na sessão artigos.

A submissão de trabalhos é exclusivamente online pelo sistema SEER utilizado pela Ícone. Acesse: http://www.icone-ppgcom.com.br/ e siga os passos. Os professores José Afonso da Silva Junior e Nina Velasco (PPGCOM-UFPE) são os editores dessa edição.

Calendário
Submissão de artigos: até  20 de Junho de 2013.
Pareceres: até  20 de Julho de 2013.
Previsão de publicação: até  20 de Agosto de 2013.

II Salão de Fotografia

Este ano participarei novamente com duas fotos da Exposição Coletiva do II Salão de Fotografia de Aracaju. Como pode ser visto no cartaz, a abertura será na próxima terça (7), a partir das 20 horas. Nesse mesmo dia terão os lançamentos dos livros “Descobrindo Caminhos para as Artes”e “Clemente Freitas, o pioneiro da arte cinematográfica em Sergipe”, ambos de autoria de Djaldino Mota Moreno.

A exposição ocorrerá entre os dias 08 e 26 de agosto, na Galeria de Arte Álvaro Santos – localizada na Praça Olímpio Campos, s/n, Centro. São ao todo 50 fotografias, que estão inscritas na temática “Aracaju, minha terra, minha gente”. Estarei também concorrendo a prêmios em dinheiro, destinados às melhores fotografia de acordo com um juri formado. O horário de visitação é das 8 às 18h, durante a semana, e das 9 às 13h aos sábados. Mais informações pelo telefone 3179-1308 e pela página https://www.facebook.com/galeriaalvaro.

Salão de Fotografia de Aracaju

Estarei participando de uma coletiva nesse mês, em Aracaju (SE), com duas fotografias. Após um bom tempo sem desenvolver um trabalho, sem desenvolver uma linguagem própria nas artes visuais, voltei a fotografar. E isto tem ocorrido também em decorrência do fato de que, neste ano, passei a ocupar a cadeira de professor substituto de fotografia para as habilitações em comunicação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Pois bem, submeti meu trabalho e fui selecionado para o I Salão de Fotografia de Aracaju, que acontece na Galeria de Arte Álvaro Santos.  Para quem estiver por lá, a abertura será nessa terça (27), a partir das 20h. O período de visitação será entre 28 de Setembro e 22 de Outubro, com horário de 8h às 18h durante a semana e de 9h às 13h nos finais de semana.

A criação de redes de compartilhamento de fotografias

A definição do que se entende por redes compartilhamento de fotografias, aqui, delimita-se à formação de agrupamentos humanos – por mais de um nó e conexão – em que é possível estabelecer laços em virtude do compartilhamento de interesses centrados na fotografia. E isto se dá a partir de fotografias exibidas em algum suporte – impresso ou digital -, situadas através da mediação em ambientes físicos ou virtuais.

Carte-de-Visite: criação de Disdéri ajudou na popularização da fotografia e de um formato de cartão usado até hoje, não apenas por fotógrafos

Desse modo, partindo para um plano histórico da fotografia enquanto objeto passível de interações – nesses ambientes físicos -, é considerado aqui o ato de compartilhar a partir do segundo momento do aperfeiçoamento dos processos fotográficos; a saber, a descoberta do cartão de visita fotográfico (carte-de-visite) por André Disdéri (1819 – 1889), que coloca ao alcance de muitos o que até aquele momento, segundo Fabris – em seu artigo A invenção da fotografia: Repercussões sociais – , “fora apanágio de poucos e confere à fotografia uma verdadeira dimensão industrial, quer pelo barateamento do produto, que pela vulgarização dos ícones fotográficos em vários sentidos” (p. 17).

O primeiro momento estende-se de 1839 aos anos 1850, quando o interesse pela fotografia se restringe a um pequeno número de amadores, provenientes das classes abstadas, que podem pagar os altos preços cobrados pelos artistas fotógrafos. Dessa forma, esse momento é restrito a apenas uns poucos afortunados, que queriam ter seus registros visuais, e não se interessavam até então a estabelecer uma cultura visual, na qual fotografias são compartilhadas.

Já no segundo momento histórico, a construção de representações passa a fazer sentido quando Disdéri fotografa o cliente de corpo inteiro e o cerca de artifícios teatrais que definem seu status, longe do indivíduo e perto da máscara social, numa forma de representação de si em que se fundem o realismo essencial da fotografia e a idealização intelectual do modelo. Segundo Fabris (p. 21):

É por isso que não hesita em embelezar o cliente, aplicando a técnica do retoque. O “agradável”, ameaçado pela exatidão da fotografia, torna-se o grande trunfo do fotógrafo industrial, que pode fornecer à clientela sua imagem “num espelho”… complacente.

Nessa citação, é percepetível aqui já toda uma estatégia de gerenciamento de impressões; isto porque aquele fotografado tinha a preocupação em se representar para aqueles que compartilhava, de modo a revelar traços positivos de si.

Por volta de 1880, tem início a terceira etapa: é o momento de massificação, quando a fotografia se torna fenômeno prevalentemente comercial, sem deixar de lado sua pretensão a ser considerada arte; como também a discussão, à época, sobre os limites da pintura figurativa em apresentar o “mundo real” – algo que só seria possível pela fotografia, como defendiam alguns adeptos desse novo meio.

É nesse momento, principalmente com a produção das câmeras compactas, e o surgimento de uma grande indústria de câmeras – a Kodak, de George Eastman (1854-1932) -, que é possível perceber como a partir daí as fotografias criam uma cultura de compartilhar, que até o momento atual faz com que indivíduos participem; porém, a partir da década de 1990, através da internet, houve uma ampliação na difusão das fotografias, e no estabelecimento e manutenção de laços com aqueles fisicamente distantes. Nesse ambiente, outra tecnologia se torna fundamental para o crescimento no uso: a digitalização da imagem. Mas isto já é outra história.

Categorizamos as imagens, sempre

Criadores, colecionadores, curadores e espectadores atribuem textos às imagens. Estes tendem a ser categóricos, no sentido de que representam classes de coisas que compartilham atributos comuns com outras coisas, como o modo que uma imagem ou grupos de imagens podem ser diferenciados de outras imagens ou grupo de imagens. Não vou aqui abordar essa questão em algum plano filosófico, ou mesmo semiótico, sobre como criamos textos (significados) a tudo que nos deparamos, como forma de nos adaptarmos a realidade a partir de elementos tangíveis à nossa cognição. Partirei, sim, de um ponto de vista semântico.

Podemos ver, sem nomear o que vemos; no entanto, não podemos pensar sobre o que vemos sem caracterizar essa experiência cognitiva através da linguagem. A nomeação de imagens e objetos que lhes estão associados estabelece eixos de sentido que podem ser comunicados aos outros.

Em seu artigo Cognitive Reference Points, Eleanor Rosch argumenta que quando as pessoas nomeiam um objeto, eles contam com a economia cognitiva derivada de atributos oferecidos em uma imagem para classificar esse objeto em alguma categoria de base útil. É possível assim falarmos sobre as imagens usando palavras, e não usando outras imagens.

Rosch dividiu então esses níveis de classificação visual em superordenado, que contém ou classifica o nível básico do objeto, bem como uma série de outros objetos que tenham atributo específico em comum; há ainda o nível subordinado de categorização, cujo espectador aprofunda o referencial do objeto visto, sendo suscetível de responder com uma categoria que tem menos atributos em comum do que qualquer das categorias de base ou superordenadas do mesmo objeto.

Post do Flickr. Categorizamos através de legendas, tags, títulos, comentários...

Por exemplo: ao ver a fotografia de um carro, um espectador responde provavelmente ao nível básico – se trata de um carro – do que se refere a ele como um meio de transporte (superordenado). Ainda, aquele possuidor de conhecimentos específicos poderá remeter para a foto acima exemplificada como um Volkswagen Fusca 1967. Nesse nível, enquanto que o termo se destina a definir mais claramente o objeto da fotografia, tal ação disto introduz ainda outro problema de usar palavras para as imagens – ou mesmo inserir tags, em sites de compartilhamento. Se tentarmos buscar uma palavra como “1967”, todas aquelas que forem etiquetadas com tal palavra aparecerão na busca – uma infinidade.

Assim, coleções de imagens são estruturadas em torno desse tipo de categorização superordenada, básica e subordinada. Estariam dessa forma também sendo categorizadas nessas redes de compartilhamento de fotografias?

À primeira vista, essa abordagem parece ser uma solução lógica, dando oportunidade de organizar as imagens a fim de oferecer padrões de acesso funcional. No entanto, acessos à imagem física e digital representam dois aspectos diferentes em relação à categorização. A obra (original) não pode ser “pendurada” em dois lugares ao mesmo tempo, embora possa condizer com mais de uma categoria; e uma imagem na internet pode ocupar e ser vista em diversas categorias diferentes, representando mais de uma vez. Dessa forma, uma diferença crucial surge nessa forma de categorizar, se for comparar ambientes online e offline: a possibilidade de uma mesma iamgem estar presente em mais de uma categoria – o que auxilia a uma mais precisa busca por estas.

Concluindo, nenhum indivíduo ou grupo, não importa quão profissional ou especialista em um dado segmento, pode capturar todas as impressões invocadas por uma imagem. Criamos texto para darmos referências às imagens, e o que esperamos representar aos usuários, no sentido de construir um discurso de si; mesmo sabendo que nunca uma imagem se esgota no número de palavras nas quais podemos atribuí-las, isto é melhor percebido através do contato com outras pessoas – no que estas imagens representam para elas.

Fotografia e internet: algumas passagens e tensões

Vive-se um momento na história da fotografia em que a multiplicação da problemática dos modos de produção e dos seus suportes de expressão, introduzidos por tecnologias que foram surgindo – câmeras, processos de revelação, meios digitais, computadores e em seguida a internet –, exigem novas leituras desse fazer fotográfico. Isto porque, essas tecnologias podem convergir várias mídias e funções.

Considerando o que acima expus, Arlindo Machado, em seu livro Arte e Mídia, defende que em lugar de pensar os meios individualmente, o que começa a interessar agora são as passagens que se operam entre as mídias. Pois essas passagens permitiriam compreender melhor tensões e ambigüidades que se operam atualmente entre: (1) o movimento e a imobilidade, (2) entre o analógico e o digital, (3) o figurativo e o abstrato, (4) o atual e o virtual.

Buscando interpretar essas passagens, no primeiro caso quando a obra não está presa apenas a um lugar, podendo estar presente em vários pontos da rede, simultaneamente; uma foto no Flickr pode, com isso, ter um alcance cujas barreiras de tempo e espaço são diminuídas: não há mais a necessidade do local (espaço) e a instantaneidade de sua propagação (tempo). No segundo, quando observam-se as possibilidades de apresentação de uma obra fotográfica que é agora digital, em que o processo físico-químico é substituído pelo registro em bits, o que dá ao fotógrafo a possibilidade de propagar na internet e manipular através de softwares de edição de imagens. No terceiro quesito, quando percebe-se uma fronteira não mais tão clara entre o que seria figurativo ou abstrato na produção fotográfica, em que o artista, ao explorar os recursos de sua câmera e de pós-produção (edição), altera as fronteiras destinadas unicamente a pintura ou a fotografia: tanto podem ser interpretados como figurativo ou abstrato a imagem finalizada. Por fim, discute-se o atual e o virtual ao pensar na fotografia apresentada nas redes sociais de compartilhamento na internet e na própria imagem virtual, aquela que se dá como potência do atual, como já defendeu Pierre Lévy.

Para Machado, pensar nessas tensões não se trata apenas de uma estratégia para compreender as novas imagens; essa seria a maneira como a indústria cultural agora funciona. Pois esse momento provocou a automatização da imagem, tendo seu início no século XIX com as primeiras câmeras, e contribuindo para a consolidação de uma indústria cultural; as ditas “belas artes” passam a não ser mais destinadas exclusivamente a poucos apreciadores. Se considerarmos aqui a fotografia digital e os sites que possibilitam a criação de redes na internet, é possível dizer que a produção e conseqüente propagação assumem outras proporções. Não se trata necessariamente de uma “nova fase” na fotografia, com relação a sua linguagem; mas sim de uma multiplicação na forma em que as imagens podem ser apresentadas (e representadas) ao público – amador ou profissional.

Essas discussões fazem parte do que venho me interessando. Espero poder contribuir com as pesquisas sobre fotografias quanto ao seu compartilhamento na web, no referente aos seus suportes de expressão; aprofundando questões relacionadas aos processos psicossociais em decorrência do contato com as tecnologias da comunicação e suas apropriações.