Imagem nas mídias sociais

Hoje é o dia mundial da fotografia! Nessa série de ações que vários sites e fotógrafos fizeram na lembrança da data comemorativa, esta imagem abaixo me chamou atenção, pela relação com o que venho fazendo na pós-graduação. Trata-se de um infográfico no qual apresenta os principais serviços de compartilhamento de imagens utilizados pelos brasileiros na internet. Elaborado pela agência Mentes Digitais.

Assim, trata do início, com o Fotolog, e vai consequentemente apontar como essa relação com a fotografia passa a ter um componente importante no processo, que são as câmeras nos dispositivos móveis. Prova disso é o sucesso do Instagram, que passa a ser um ator fundamental para o entendimento dessa prática de compartilhamento dos últimos dois anos, tendo em vista a aceitação do público e o desenvolvimento dos dispositivos – que passam a diminuir consideravelmente o tempo entre o ato fotográfico e o ato de compartilhar com a rede social do usuário.

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Apresentação no seminário Lugares da Sociabilidade

O evento foi, a meu ver, bastante produtivo e enriquecedor. Principalmente pelo fato de eu ter conhecido um pouco mais das pesquisas do pessoal do Grupo de Pesquisa em Cibercidades (GPC). Pois frequentemente falta um maior diálogo, no geral, entre grupos de pesquisa; e o problema é maior quando se constata ocorrer em grupos pertencentes a um mesmo programa de pós-graduação que, apesar de terem afinidades, não conseguem criam essas parcerias. Parabéns ao pessoal que organizou, e ainda conseguiu transmitir ao vivo pelo justin.tv.

Segue abaixo a minha apresentação no seminário Lugares da sociabilidade (via slideshare):

A criação de redes de compartilhamento de fotografias

A definição do que se entende por redes compartilhamento de fotografias, aqui, delimita-se à formação de agrupamentos humanos – por mais de um nó e conexão – em que é possível estabelecer laços em virtude do compartilhamento de interesses centrados na fotografia. E isto se dá a partir de fotografias exibidas em algum suporte – impresso ou digital -, situadas através da mediação em ambientes físicos ou virtuais.

Carte-de-Visite: criação de Disdéri ajudou na popularização da fotografia e de um formato de cartão usado até hoje, não apenas por fotógrafos

Desse modo, partindo para um plano histórico da fotografia enquanto objeto passível de interações – nesses ambientes físicos -, é considerado aqui o ato de compartilhar a partir do segundo momento do aperfeiçoamento dos processos fotográficos; a saber, a descoberta do cartão de visita fotográfico (carte-de-visite) por André Disdéri (1819 – 1889), que coloca ao alcance de muitos o que até aquele momento, segundo Fabris – em seu artigo A invenção da fotografia: Repercussões sociais – , “fora apanágio de poucos e confere à fotografia uma verdadeira dimensão industrial, quer pelo barateamento do produto, que pela vulgarização dos ícones fotográficos em vários sentidos” (p. 17).

O primeiro momento estende-se de 1839 aos anos 1850, quando o interesse pela fotografia se restringe a um pequeno número de amadores, provenientes das classes abstadas, que podem pagar os altos preços cobrados pelos artistas fotógrafos. Dessa forma, esse momento é restrito a apenas uns poucos afortunados, que queriam ter seus registros visuais, e não se interessavam até então a estabelecer uma cultura visual, na qual fotografias são compartilhadas.

Já no segundo momento histórico, a construção de representações passa a fazer sentido quando Disdéri fotografa o cliente de corpo inteiro e o cerca de artifícios teatrais que definem seu status, longe do indivíduo e perto da máscara social, numa forma de representação de si em que se fundem o realismo essencial da fotografia e a idealização intelectual do modelo. Segundo Fabris (p. 21):

É por isso que não hesita em embelezar o cliente, aplicando a técnica do retoque. O “agradável”, ameaçado pela exatidão da fotografia, torna-se o grande trunfo do fotógrafo industrial, que pode fornecer à clientela sua imagem “num espelho”… complacente.

Nessa citação, é percepetível aqui já toda uma estatégia de gerenciamento de impressões; isto porque aquele fotografado tinha a preocupação em se representar para aqueles que compartilhava, de modo a revelar traços positivos de si.

Por volta de 1880, tem início a terceira etapa: é o momento de massificação, quando a fotografia se torna fenômeno prevalentemente comercial, sem deixar de lado sua pretensão a ser considerada arte; como também a discussão, à época, sobre os limites da pintura figurativa em apresentar o “mundo real” – algo que só seria possível pela fotografia, como defendiam alguns adeptos desse novo meio.

É nesse momento, principalmente com a produção das câmeras compactas, e o surgimento de uma grande indústria de câmeras – a Kodak, de George Eastman (1854-1932) -, que é possível perceber como a partir daí as fotografias criam uma cultura de compartilhar, que até o momento atual faz com que indivíduos participem; porém, a partir da década de 1990, através da internet, houve uma ampliação na difusão das fotografias, e no estabelecimento e manutenção de laços com aqueles fisicamente distantes. Nesse ambiente, outra tecnologia se torna fundamental para o crescimento no uso: a digitalização da imagem. Mas isto já é outra história.

Humanos e não-humanos no compartilhamento de fotografias

Venho estudando, por esses dias, a emergência de humanos e não-humanos em redes de compartilhamento de fotografias. Para tanto, utilizo a Teoria Ator-Rede para a compreensão da dinâmica das interações em um post no site Flickr.

Acredito que compreender a dinâmica das redes sociais requer uma análise não apenas nos processos de interação decorrentes de dois ou mais indivíduos. É necessária a atenção para a presença de atores não-humanos também intervenientes no referido processo. Trazendo a discussão para internet, é preciso se dar conta da presença de variáveis técnicas específicas para cada ambiente interativo, nos quais produzem mecanismos de interação que os tornam únicos, sendo assim difícil de transportar as mesmas dinâmicas de um ambiente a outro.

Essas variáveis técnicas são fornecidas pela equipe desenvolvedora dos sites, numa busca constante por promover mecanismos para o estabelecimento de estratégias de representação e de interação entre usuários – ainda que nem sempre alterações e inserções de novas ferramentas no sistema venham a ser bem recebidas pelo público. E a Teoria Ator-Rede pode ajudar na busca por compreender como actantes oriundos de diversas situações – humanos ou não – se inscrevem em um determinado processo de modo a criar redes heterogêneas.

Redes heterogêneas
A Teoria Ator-Rede pesquisa os processos de interação na sociedade, mas sem ignorar o ambiente em que se dá a situação e a presença de outros actantes – no caso, os não-humanos –, os quais também fazem parte do processo, sem a existência de uma hierarquia. Heterogeneidade é um aspecto central de uma rede estável. Quanto mais diversos elementos estão inter-relacionados, mais complexa e estável a rede se torna.

Essa seria o que John Law[1] considerou como uma rede heterogênea. Ou seja, Law diz que o conhecimento adquirido pelos actantes humanos é incorporado em uma variedade de formas materiais. Em uma rede desse tipo, cada elemento é mantido no lugar através de um conjunto heterogêneo de vínculos com outros actantes; a fim de desvincular múltiplos actantes determinados, múltiplas conexões têm de ser desatadas.

A resposta da Teoria Ator-Rede sobre de que modo essas redes são concebidas é de que são o produto final de um trabalho de informações e partes diversas: tubos de ensaio, organismos, mãos hábeis, microscópios eletrônicos, cientistas, artigos, terminais de computador, dentre outros; estes funcionam isoladamente, mas são justapostos numa rede. Sobre isto, assim como nas interações face-a-face, existe uma variável técnica que opera no sentido de possibilitar certas condições para o estabelecimento de interações, de laços de um actante humano na rede.

Este, então, é um dos problemas de pesquisa da Teoria Ator-Rede: a preocupação com a forma em que actantes e organizações mobilizam, justapõem e unem os pedaços dos quais são compostos; como eles às vezes são capazes de impedir os pedaços de seguir suas próprias inclinações e formas de devir; e como conseguem, a partir disto, virar uma rede de um conjunto heterogêneo de pedaços, cada um com suas próprias inclinações.

Flickr
Se pensada a questão a partir do que preceitua a Teoria Ator-Rede, todos os recursos presentes num post, a promover interações e representações, podem ser compreendidos como os actantes, nos quais podem ser gerenciados pelos próprios usuários postam a foto, por aqueles que interagem ou pelo próprio sistema. Estes aparecem de modo a fomentar as interações possíveis a partir do que uma fotografia pode representar para os indivíduos e aos demais.

Indicação (em vermelho) de actantes presentes em um post do Flickr

As interações feitas pelos usuários em um dado post são fundamentais no rumo em que uma dada foto pode ser compreendida pelos demais usuários; ou seja, o processo de representação de um usuário só se completa a partir da interação com os demais. Assim como sugere a Teoria Ator-Rede, a essência é a ação: o momento em que actantes se dão ao encontro. Por exemplo, um comentário em uma dada foto pode alterar toda a ordem de um discurso presente em um post; ainda, pode até fazer com que a foto tenha menos importância para aqueles que interagem no mesmo, para ser assim tomado como foco de atenção o que foi comentado pelos usuários.

Trabalhando em conjunto, os actantes presentes no Flickr possibilitam a formação de redes heterogêneas, pois é no conjunto das ações desenvolvidas que se dá a emergência de toda uma dinâmica das interações no ambiente do referido site. E é isto que possibilitará o estabelecimento de laços nessas redes, de acordo com os interesses de cada um.

Acredita-se que a Teoria Ator-Rede possa inclusive ser importante para questionar a concepção tradicional que se tem de redes sociais na internet, tendo em visto o modo como se valoriza a presença de outros actantes exteriores ao próprio indivíduo: aparecem como apenas um suporte, um meio para a interação entre humanos; não há a devida compreensão da simetria entre humanos e não-humanos, dependentes entre si.

É isto, e mais um muito, que posteriormente vou trabalhar.


[1] Artigo Notes on the theory of the actor­network: ordering, strategy and heterogeneity (1992). Vale também salientar que o termo actante é utilizado pela Teoria Ator-Rede para designar aqueles que agem em uma determinada situação.

A Teoria Ator-Rede pesquisa os processos de interação na sociedade, mas sem ignorar o ambiente em que se dá a situação e a presença de outros actantes[1] – no caso, os não-humanos –, os quais também fazem parte do processo, sem a existência de uma hierarquia. Heterogeneidade é um aspecto central de uma rede estável. Quanto mais diversos elementos estão inter-relacionados, mais complexa e estável a rede se torna.


[1] O termo é utilizado pela Teoria Ator-Rede para designer aqueles que agem emu ma determinada situação.

Compartilhamento de fotografias não é mais o primeiro interesse

Pesquisas recentes acerca dos sites de redes sociais (SRSs) tem constatado que são os jogos sociais o motivo pelo qual os usuários participam dos mesmos. Dessa forma, o compatilhamento de fotografias fica em segundo lugar no que se refere ao principal interesse; e é possível salientar uma relação disto com o crescimento do Facebook, que apresenta um grande número e variedade de jogos.

Porém, a forma mais comum de contribuição de conteúdo no Facebook é o upload de fotos; a página de fotografias do referido site atrai mais de duas vezes o tráfego se comparado com três maiores sites de compartilhamento de fotografias. Não se trata apenas de fazer o upload de fotos, existem também mecanismos do site para o que Moira Burke, Cameron Marlow e Thomas Lento chamaram de aprendizagem social[1]. Além disso, as fotos aparecem em muitos momentos e páginas, incluindo álbuns recém criados, as fotografias de novos usuários, álbuns de seus amigos, seus feeds de notícias e dos seus perfis; portanto, há muitas oportunidades para ambos a criação de estratégias representação através das fotos e para a experiência do compartilhamento das mesmas. Contudo, há de se ressaltar aqui a atenção dada aos jogos sociais, tanto por parte das pesquisas como pelos usuários.

Jogos sociais
Jogos sociais – da forma como são compreendidos na internet – surgiram no Facebook em 2007, com o lançamento da plataforma. Desde então, passou para mais de 500 milhões de visitantes mensalmente, e mais de 70% dos visitantes utilizam desses aplicativos. No ano passado, os jogos sociais tornaram-se uma das mais populares formas de aplicativos sociais, gerando algo em torno de US$ 500 milhões em receita – a maioria das quais provenientes do Facebook. De acordo com reportagem do site Mashable, Embora o Facebook seja o site com mais usuários, reúne menos de 30% dos visitantes únicos nas redes sociais da internet. Há cerca de 40 SRSs com mais de 10 milhões únicos mensais e cerca de 150 com mais de 1 milhão. As empresas que compõem o restante desse tráfego dos SRSs estão apenas começando a perceber o empenho e os benefícios de monetização dos jogos sociais. Alguns, como o Quepasa, fizeram dos jogos sociais uma parte central de sua estratégia.

Farmville: o mais popular do Facebook

Farmville: um dos mais populares do Facebook

Sem querer discorrer muito acerca dos jogos sociais, cito aqui parte da pesquisa de Raquel Recuero, na qual levanta características fundamentais do público: a idade dos jogadores tem uma variação maior do que a dos games em geral. Como os sites de rede social congregam uma quantidade enorme de pessoas, o comportamento de “cascata” possibilita – assim como com as fotografias – que esses jogos espalhem-se também dentro de redes sociais mais heterogêneas, como círculos familiares. E, por fim, são jogos que necessitam de pouco investimento para aprendizado e que rapidamente oferecem benefícios sociais e individuais para os jogadores – possibilitando assim a aquisição de jogadores.

Fotos
Ainda assim, penso que o interesse por compartilhar fotografias é fundamental para o estabelecimento de laços entre usuários, como também para a inserção de novos usuários. Isto porque é algo anterior à internet, a exemplo dos clubes de fotografias ou das reuniões entre amigos e parentes para compartilhar álbuns. Existe uma afinidade por perceber o que as fotos podem revelar de um indivíduo, e de como são capazes de tecer formas de subjetivação por meio destas.

Sem esquecer aqui de mencionar os sites de compartilhamento de conteúdos, nos quais há também um espaço para o compartilhamento de fotografias. Não quero aqui me posicionar como um defensor disto ou daquilo, mas simplesmente constatar que o impulso por interagir com outros indivíduos através das fotografias perpassa tanto a internet como a afinidade por uma fotografia com um viés mais artístico, digamos. E isto faz com que o ato de compartilhar não perca a importância enquanto recurso para os sites de redes sociais. Ainda, tal impulso trata-se de uma relação complexa, que envolve a ativação de nós semânticos – os quais remetem a momentos diversos de nossas vidas – ou a percepção em torno de uma estratégia de representação do “eu”, dentre outras formas de perceber o fenômeno, e sua fácil adesão.


[1] Artigo: Feed Me: Motivating Newcomer Contribution in Social Network Sites (2009).

Onde estão meus amigos do Fotolog?

Página inicial do Fotolog: poucas mudanças com o passar dos anos, no geral

Em uma primeira análise, a resposta para a pergunta do título desse post seria: em nenhum lugar. Isto porque, o Fotolog, que num tempo longínquo para esse ambiente online – no início e até meados dessa década – era um dos sites de redes sociais mais populares no Brasil, passou a perder força a partir de 2005 e atualmente é utilizado por um número bastante inferior: é apenas o 416º e o 75º no Brasil, de acordo com a medida de traffic rank do Alexa.

Em 2004, no seu período mais expressivo, o Brasil tinha mais de 200 mil fotologs, sendo à época o país com maior número de fotologs cadastrados no sistema. Já no início de 2006, o site retirou as estatísticas do ar – provavelmente devido a perda no número de usuários, se comparado proporcionalmente a outros sites que cresceram. No próprio site, as estatísticas apresentadas são de 2008, e não fazem mais referências a comparações com outros sites promotores de redes sociais no Brasil.

Por que isto aconteceu?

Fazendo uma análise mais considerável, pensei nesse post ao começar a vasculhar minha antiga conta no site, e relembrar um pouco os momentos passados, e como estes foram bons o suficiente para achar que não poderiam ter acabado. Daí, passei a procurar por motivos que tenham ocasionado um desinteresse pelo site por parte dos brasileiros, em geral. Penso em dois motivos, que inclusive podem caminhar juntos: (1) o fotolog possui muito menos recursos de personalização e interação se comparado a outros sites e (2) outros sites, a exemplo dos sites de relacionamentos como Orkut e Facebook, passaram a adotar recursos de compartilhamento de fotografias semelhantes aos do fotolog, impulsionando assim seu esquecimento.

Na primeira proposição, é reconhecido o descaso da equipe do Fotolog no desenvolvimento de mais recursos para dinamizar as interações, e poder personalizar ainda mais as páginas dos usuários – as formas como os usuários se representam para os outros. Olhando o site hoje, me vem a mesma imagem de quando usava-o em 2004: mesmo layout, poucas alterações quanto a ações possíveis de se fazer em cada post – apenas inserir comentários para quem visualiza um post, e apenas inserir legenda e a foto em um único tamanho para quem faz a postagem.

Já a segunda diz respeito a outros sites de redes sociais virem a suplantar a função do fotolog a medida em que passaram a dispor dos mesmos recursos do site aqui tratado, e quando não mais. Como o Orkut, que ampliou a página de fotos dos usuários: o que até 2006 era para no máximo 12 fotos, é atualmente ilimitado e pode ser organizado por “álbuns”, receber comentários e marcar pessoas nas fotos, além das configurações de privacidade; ou o caso do Flickr, que em certa medida absorveu usuários do fotolog em virtude da quantidade de recursos a disposição dos usuários. Assim, as pessoas continuaram a compartilhar suas fotos, porém em outros ambientes, em muitos casos em mais de um.

Ainda assim, sinto falta de algo que só foi possível ser obtido no Fotolog – pois acredito que cada rede social tem suas particularidades unicamente inerentes a mesma. Havia, lá, uma ambiência que favorecia o estabelecimento de laços fortes, e isto se dava principalmente a partir do compartilhamento de experiências cotidianas, acima de discussões acerca de questões estéticas que a própria foto viesse a suscitar. Ainda que isto possa ter continuado para outros usuários, em outras redes, existia um público específico que se encontrava por lá, que não mais achei nesses dois sites acima usados como exemplo para o enfraquecimento do fotolog. E não acredito que isto tenha ocorrido apenas comigo. Pensando nesse viés, provavelmente um público mais jovem se aproprie de outras redes, da forma como nós – eu meus amigos – fizemos com o fotolog; ou como uma geração anterior a minha se apropriou das listas de discussão.

Então, a resposta mais convincente para o título desse post seria: em vários lugares.

Novo flickr ou nova página de fotos?

Reprodução da nova página do site; mudanças passam a vigorar nas próximas semanas

A partir da próxima semana, o Flickr apresenta a nova página de exibição de fotos disponível para todos os usuários[1]. Em seu blog oficial, anunciou a nova página de fotos, prometendo que “descobrir, compartilhar e organizar suas fotos ficou ainda mais fácil”. A questão que me proponho a refletir aqui: o que há de novo? Fazendo aqui uma análise do que tem de novo, ou diferente, procuro enfocar na página de imagens do usuário – naquela que foi clicada para visualização em tamanho maior, para se ter mais informações da mesma ou para querer interagir: comentando, “favoritando”, inserindo tags etc.

Página de exibição
As fotos agora estão bem maiores. E o tamanho acompanha também a nova resolução do site, que passa a ser 1024×768. A justificativa, segundo o post no blog oficial, é conveniente: “Suas fotos ficam melhores quando elas são grandes”. Tal discurso é corroborado tanto por designers, ao pensar na diagramação de uma mídia impressa ou num site, como por estudiosos do campo da arte e curadores. Imagens maiores causam maior impacto na visualidade das mesmas, para o espectador. Por isto, costuma-se em uma exposição dar ênfase aos quadros com maiores dimensões e nos jornais e sites as notícias “mais importantes” aparecem com fotos em maiores dimensões – ou adotam outra estratégia: as melhores fotos têm privilégio, sendo exibidas em maior dimensão a fim de tomar a atenção do leitor pela qualidade da mesma.

Título da foto, que agora aparece abaixo da mesma. Ou não parece também uma legenda?
Título da foto, que agora aparece abaixo da mesma. Ou não parece também uma legenda?

Quanto ao título e legenda das imagens, o que pode ser chamado de título aparece abaixo destas, antes da legenda. De acordo com a equipe de desenvolvedores, a idéia do título da foto está próximo da descrição da foto é para ressaltar as informações. De fato, percebe-se um maior destaque na foto, em detrimento do título da mesma – que passa a funcionar como um título da legenda a partir de agora; essa minha percepção é reforçada quando se vê fotos em que não há legendas, mas apenas título, como na reprodução desse post abaixo.

Já com relação às demais informações da imagem, percebeu-se uma preocupação em que o usuário a visualizar uma imagem possa ser levado a outras que sejam de seu interesse, quando eles remodelaram o que eles chama de “rolo de filme”: as imagens que aparecem em menor tamanho ao lado direito agora são cinco, e são facilmente acessadas entre as da galeria do usuário, dos álbuns nos quais a imagem pertence e nos grupos em que o usuário postou a mesma. Isto facilita a navegação, e a possibilidade de você ser levado a outras imagens do seu interesse.

No que se refere às ações que apareciam acima da foto – adcionar tags, notas ou pessoas, favoritar – somem os ícones e passam a ser apenas um menu de ações. Os desenvolvedores pretenderam com isto dar ênfase as imagens, evitando perder o foco da atenção com a quantidade de botões que apareciam acima da imagem. Só uma pesquisa mais aprofundada compreenderia se as ações, da forma como apareciam, realmente “atrapalhavam” a visualização. Do ponto de vista do usuário, achei que ficou menos informações expostas de uma só vez, o que é melhor.

Por fim, no que se refere ao novo recurso de visualização em maiores tamanhos, essa função dá uma nova dinâmica, pois é possível que amplie o tamanho da imagem sem necessariamente ir para a página em que se vê todos os tamanhos possíveis da mesma. É interessante pelo fato de não ser mais necessário ficar carregando novas páginas para ter que ver uma imagem ampliada.

Questionando…
Como se percebeu, as alterações foram todas no sentido de dar ainda mais ênfase nas imagens em si. Quero compreender melhor essa estratégia que, a meu ver, não é apenas para aprimorar o layout, mas também naquilo que lanço como hipótese: em virtude de outros sites de redes sociais[2] que agora passam a ter álbuns de fotos com cada vez mais recursos para interagir e navegar, o Flickr investe ainda mais na visualização dos posts dos usuários no sentido de enfatizar a qualidade das fotos em um sentido estético, ao mesmo tempo enfatiza a qualidade dos seus usuários fotógrafos.

Ou seja, as fotos no Flickr são também para apreciadores da fotografia, que valorizam a foto em si e não apenas para aqueles interessados em compartilhar fotos de viagens, festas ou encontros com os amigos, por exemplo. Sem esquecer que estas possam vir a ter uma ênfase também em questões voltadas ao enquadramento, exposição, jogo de luz e sombra, enfoque, dentre outros discursos técnicos ou estéticos que possam ser compartilhados; porém a interação acima de tudo se baseia no interesse dos atores envolvidos: para quem apenas quer compartilhar experiências cotidianas com amigos, essas questões supracitadas são deixadas em segundo plano.

Daí o título desse post vir seguido de uma interrogação, no sentido de tentar refletir de que forma essa atualização opera no sentido de ajudar a alterar a forma como o Flickr se situa nesses sites promotores de redes sociais.


[1] Quem é cliente Pro já pode fazer o “upgrade” para a nova página de fotos
do site.
[2] Principalmente os sites de relacionamento e aqueles que servem como
auxiliar ao twitter, para se poder postar fotos e enviar tweets das mesmas.