Livro: Structures of Image Collections

Essa semana terminei de ler Structures of image collections: From chauvet-pont-d’arc to flickr (2008). Achei interessante pontuações levantadas pelos autores do livro, Howard Greisdorf e Brian O’Connor, no qual examinam historicamente o imenso número de imagens que indivíduos colecionam, bem como as muitas maneiras diferentes de coleções que podem ser organizadas e geridas.

Por que nós colecionamos, como nós colecionamos, como usamos essas coleções, e como vamos construir, manter e acessar coleções de imagens são as questões centrais desse livro. Trata-se de uma abordagem interdisciplinar, cujos autores percorrem bases semânticas, semióticas e sintáticas para explicar como é possível definir, descrever e contextualizar as imagens colecionadas, servindo estas assim como forma de registro de nossas passagens no tempo e espaço – de que modo nos representamos em nosso ambiente, e como isto perdura através dos séculos.

Os seres humanos sempre tiveram uma tendência para colecionar imagens; isto remonta a 30 mil anos atrás, quando os desenhos nas paredes de cavernas serviam para evidenciar a experiência cotidiana. O desafio hoje é que há uma grande disponibilidade – e em outros casos restrições – para visualização de imagens, como também para sua produção. Por conseguinte, dizem O’Connor e Greisdorf, o ato de colecioná-las já não pode ser o resultado de processos para esta finalidade enraizados em metodologias antiquadas. Por isto, eles apresentam essa abordagem interdisciplinar dos princípios, práticas e sistemas cognitivos subjacentes à categorização e gestão de imagem.

O livro está dividido em cinco partes, que por conseguinte se subdividem em capítulos: (1) na definição da natureza das imagens; (2) questões da linguagem inerente a cada imagem; (3) descrevendo como as imagens são colecionadas, incluindo aí o ato de inserção de dados como etiquetas (tags); (4) explicando como as imagens são absorvidas pelo público; (5) e questões futuras inerentes aos mecanismos de armazenamento e de acesso, como a partir da internet e da digitalização na produção de imagens. Cada argumento parte de uma perspectiva histórica sobre o tema e se apóia em uma investigação através de casos reais e exemplos com fotos produzidas pelos próprios autores e amigos.

Gostei da leitura, pois se trata de uma obra cuja abordagem é sobre como é possível compreender que, historicamente, os seres humanos sentiram impulso por estruturar as imagens produzidas de modo a criar referenciais identitários de si e dos seus grupos, como também para facilitar o entendimento da relação de si com o entorno – quer seja através de coleções individuais, museus de arte contemporânea, clubes de fotografias ou em redes de compartilhamento de imagens na internet. Ou seja, a necessidade por colecionarmos imagens é desde que passamos a criá-las, e passará pelas redes sociais, a exemplo do Flickr – o caso mais recente estudado pelos autores.

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