A câmara clara

Fui convidado por um editor do Jornal da Cidade (SE) para escrever sobre um livro que estava lendo. Tratava-se de um texto que deveria ser escrito com uma linguagem menos acadêmica (digamos), e que de alguma forma aproximasse o leitor às discussões do autor, numa forma de atraí-lo à leitura do mesmo. Como se trata de uma publicação restrita a um estado, reproduzo aqui uma versão que enviei para o jornal, sobre o livro A Câmara Clara (1980), de Roland Barthes.

Após grande atraso para iniciar essa leitura, o que já estava virando uma dívida minha para com um autor tão caro para a área da fotografia, acabo de ler esta que seria a última obra de Roland Barthes antes do seu falecimento, em 1980.

Vemos nesse livro um autor tomado pela trágica notícia ainda recente da morte da sua mãe. A partir de uma escrita quase biográfica, ele parece tomar o ocorrido como um dos motivos para refletir de que forma as fotografias, e certos detalhes observáveis e apreendidos na observação, são fundamentais para remeter a todo um imaginário que construímos das pessoas, das situações e dos lugares.

Barthes não se posiciona como um erudito que estaria inferindo sobre grandes narrativas fotográficas, mas como certas imagens passam a ter um papel tão importante em nossas lembranças, que estão baseadas nas experiências que temos com esse mundo aí fora. Sendo assim, ele toma para si a imagem de sua mãe ainda muito nova, encostada em uma ponte, como talvez uma das melhores referências que possuía no momento para lembrar daquilo que considera essencial em sua mãe: a afirmação de uma doçura que nunca se perdeu.

Se tentarmos refletir o que o autor procura tratar tendo em vista nosso imaginário, podemos comparar as fotografias que nos deparamos continuamente, ao abrirmos os jornais ou acessarmos algum site noticioso, com aquelas que assumem uma importância fundamental na nossa subjetividade; como um retrato dos nossos pais ou a obra de um fotógrafo que vai nos atingir durante toda a vida.

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Salão de Fotografia de Aracaju

Estarei participando de uma coletiva nesse mês, em Aracaju (SE), com duas fotografias. Após um bom tempo sem desenvolver um trabalho, sem desenvolver uma linguagem própria nas artes visuais, voltei a fotografar. E isto tem ocorrido também em decorrência do fato de que, neste ano, passei a ocupar a cadeira de professor substituto de fotografia para as habilitações em comunicação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Pois bem, submeti meu trabalho e fui selecionado para o I Salão de Fotografia de Aracaju, que acontece na Galeria de Arte Álvaro Santos.  Para quem estiver por lá, a abertura será nessa terça (27), a partir das 20h. O período de visitação será entre 28 de Setembro e 22 de Outubro, com horário de 8h às 18h durante a semana e de 9h às 13h nos finais de semana.

Últimas semanas para submissão de trabalhos ao SimSocial

Segue aberto, até o dia 15 de agosto, o prazo para submissão de comunicações aos Grupos de Trabalhos do Simpósio em Tecnologias Digitais e Sociabilidade – SIMSOCIAL, que tem como tema central a discussão sobre “Mídias Sociais, Saberes e Representações”. O evento, gratuito, acontece nos dias 13 e 14 de outubro de 2011, no Campus de Ondina da UFBA, em Salvador, Bahia.

Interessados devem realizar uma pré-inscrição no site gitsufba.net/simposio e enviar os artigos completos, inéditos, para o e-mail simposio2011@gitsufba.net.  A avaliação pela comissão científica privilegiará a originalidade e qualidade dos trabalhos, bem como a diversidade de temáticas, abarcadas pelos Grupos de Trabalho – GTs: (1) Mídias Sociais: Interações e Práticas de Sociabilidade; (2) Mídias Sociais: Consumo e Estratégias de Mercado; (3) Política e Ativismo nas Mídias Sociais; (4) Educação e Mídias Sociais; e (5) Mídias Sociais, Práticas Colaborativas e Jornalismo. A lista de trabalhos selecionados para apresentação será divulgada no dia 05 de setembro. Mais informações sobre o processo de submissão e avaliação podem ser acessadas aqui.

Além da apresentação de comunicações, a programação do SIMSOCIAL prevê a realização de conferências e mini-cursos. O Simpósio tem como público-alvo: pesquisadores, professores, estudantes universitários e profissionais de instituições relacionadas à área. É realizado pelo Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS), da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Informações
http://gitsufba.net/simposio
simposio2011@gitsufba.net

Simpósio em tecnologias digitais e sociabilidade

Estou trabalhando atualmente na organização do SimSocialSimpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade, que acontece nos dias 13 e 14 de outubro de 2011, em Salvador. O evento traz como tema Mídias Sociais, Saberes e Representações, e acontece na Faculdade de Comunicação da UFBA (Campus de Ondina).

Para as conferências, estão confirmadas as presenças do pesquisador e professor da Universidade de São Paulo (USP), Massimo di Felice; da pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernanda Bruno; e da professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Simone de Sá. Além disso, está prevista a apresentação de comunicações em cinco Grupos de Trabalho (GTs), que abarcam temas como: práticas da sociabilidade nas mídias sociais, práticas colaborativas e jornalismo, política e ativismo nas mídias sociais, dentre outros. A submissão será realizada através do envio dos trabalhos completos no período de 02 de junho a 15 de agosto.

Mais informações sobre a chamada de trabalhos podem ser conferidas em http://gitsufba.net/simposio. A avaliação ficará a cargo de uma comissão científica composta de pesquisadores relacionados às áreas dos grupos de trabalho respectivos, e privilegiará a qualidade e diversidade de temáticas que têm se destacado no campo dos estudos em tecnologias digitais.

O evento é uma promoção do Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS), no qual faço parte desde 2009.

Tecnologias
A influência das tecnologias digitais na vida das pessoas vem atraindo cada vez mais a atenção de pesquisadores de diversas áreas. No entanto, o fenômeno ainda não alcançou, na academia, o mesmo destaque que possui em nosso cotidiano. Nessa perspectiva, o SIMSOCIAL tem como público-alvo professores e estudantes universitários, além de profissionais de instituições relacionadas à área. Mais informações podem ser obtidas pelo site http://gitsufba.net/simposio ou pelo e-mail simposio2011@gitsufba.net.

Apresentação no seminário Lugares da Sociabilidade

O evento foi, a meu ver, bastante produtivo e enriquecedor. Principalmente pelo fato de eu ter conhecido um pouco mais das pesquisas do pessoal do Grupo de Pesquisa em Cibercidades (GPC). Pois frequentemente falta um maior diálogo, no geral, entre grupos de pesquisa; e o problema é maior quando se constata ocorrer em grupos pertencentes a um mesmo programa de pós-graduação que, apesar de terem afinidades, não conseguem criam essas parcerias. Parabéns ao pessoal que organizou, e ainda conseguiu transmitir ao vivo pelo justin.tv.

Segue abaixo a minha apresentação no seminário Lugares da sociabilidade (via slideshare):

Lugares da sociabilidade

Discentes da linha de cibercultura discutirão suas pesquisas no “Lugares da Sociabilidade: I Seminário dos Grupos de Pesquisa em Cibercidades (GPC) e em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS)”, entre os dia 13 e 15 de outubro. Organizado pelo GITS e GPC, ambos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea da UFBA, o evento acontece no auditório da Faculdade de Comunicação, no Campus de Ondina, das 18 às 22 horas .

Os debates vão tratar de questões relacionadas à comunicação, tecnologias e práticas sociais. Os temas a serem abordados agrupam-se em mesas temáticas sobre: Cartografia colaborativa; Game Studies; Dispositivos Móveis e Redes Sociais; Jornalismo Móvel e Mídia Locativa; Interação e Redes Sociais; e Dispositivos Móveis e Jornalismo Digital. Participa também do seminário o professor doutor Vinicius Neto (UFF), proferindo a palestra de abertura “Prática, Comunicação e Espaço. Uma reflexão sobre a materialidade das estruturas sociais”.

Estarei participando do evento com a palestra Compartilhamento de fotografias na web: Estudo dos usuários do site Flickr, a ser realizada no dia 15. Em outra ocasião falarei mais da mesma.

A coordenação do evento é dos professores da UFBA André Lemos (GPC) e José Carlos Ribeiro (GITS). Inscrições gratuitas no Nicom (segundo andar da Facom/Ufba), através do telefone (71) 3283-6182 ou do e-mail nicom@ufba.br. Lembrando que as vagas são limitadas! Veja a programação completa e mais informações aqui.

A criação de redes de compartilhamento de fotografias

A definição do que se entende por redes compartilhamento de fotografias, aqui, delimita-se à formação de agrupamentos humanos – por mais de um nó e conexão – em que é possível estabelecer laços em virtude do compartilhamento de interesses centrados na fotografia. E isto se dá a partir de fotografias exibidas em algum suporte – impresso ou digital -, situadas através da mediação em ambientes físicos ou virtuais.

Carte-de-Visite: criação de Disdéri ajudou na popularização da fotografia e de um formato de cartão usado até hoje, não apenas por fotógrafos

Desse modo, partindo para um plano histórico da fotografia enquanto objeto passível de interações – nesses ambientes físicos -, é considerado aqui o ato de compartilhar a partir do segundo momento do aperfeiçoamento dos processos fotográficos; a saber, a descoberta do cartão de visita fotográfico (carte-de-visite) por André Disdéri (1819 – 1889), que coloca ao alcance de muitos o que até aquele momento, segundo Fabris – em seu artigo A invenção da fotografia: Repercussões sociais – , “fora apanágio de poucos e confere à fotografia uma verdadeira dimensão industrial, quer pelo barateamento do produto, que pela vulgarização dos ícones fotográficos em vários sentidos” (p. 17).

O primeiro momento estende-se de 1839 aos anos 1850, quando o interesse pela fotografia se restringe a um pequeno número de amadores, provenientes das classes abstadas, que podem pagar os altos preços cobrados pelos artistas fotógrafos. Dessa forma, esse momento é restrito a apenas uns poucos afortunados, que queriam ter seus registros visuais, e não se interessavam até então a estabelecer uma cultura visual, na qual fotografias são compartilhadas.

Já no segundo momento histórico, a construção de representações passa a fazer sentido quando Disdéri fotografa o cliente de corpo inteiro e o cerca de artifícios teatrais que definem seu status, longe do indivíduo e perto da máscara social, numa forma de representação de si em que se fundem o realismo essencial da fotografia e a idealização intelectual do modelo. Segundo Fabris (p. 21):

É por isso que não hesita em embelezar o cliente, aplicando a técnica do retoque. O “agradável”, ameaçado pela exatidão da fotografia, torna-se o grande trunfo do fotógrafo industrial, que pode fornecer à clientela sua imagem “num espelho”… complacente.

Nessa citação, é percepetível aqui já toda uma estatégia de gerenciamento de impressões; isto porque aquele fotografado tinha a preocupação em se representar para aqueles que compartilhava, de modo a revelar traços positivos de si.

Por volta de 1880, tem início a terceira etapa: é o momento de massificação, quando a fotografia se torna fenômeno prevalentemente comercial, sem deixar de lado sua pretensão a ser considerada arte; como também a discussão, à época, sobre os limites da pintura figurativa em apresentar o “mundo real” – algo que só seria possível pela fotografia, como defendiam alguns adeptos desse novo meio.

É nesse momento, principalmente com a produção das câmeras compactas, e o surgimento de uma grande indústria de câmeras – a Kodak, de George Eastman (1854-1932) -, que é possível perceber como a partir daí as fotografias criam uma cultura de compartilhar, que até o momento atual faz com que indivíduos participem; porém, a partir da década de 1990, através da internet, houve uma ampliação na difusão das fotografias, e no estabelecimento e manutenção de laços com aqueles fisicamente distantes. Nesse ambiente, outra tecnologia se torna fundamental para o crescimento no uso: a digitalização da imagem. Mas isto já é outra história.