SimSocial 2012

A segunda edição do Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade (SimSocial) ocorre nos dias 10 e 11 de outubro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Estarei nesse ano trabalhando mais um vez na produção junto com o pessoal do GITS, no qual faço parte. O evento tem caráter acadêmico e se destina a promover debates e circulação de pesquisas na área de humanas, principalmente a partir do tema deste ano: Práticas Interacionais em Rede.

Material de divulgação do SimSocial desse ano

Na programação, estão previstas atividades como conferências e apresentação de comunicações em Núcleos Temáticos, baseados em questões como consumo e estratégias de mercado, política e ativismo, dinâmicas interacionais, educação e aspectos cognitivos e práticas colaborativas. Como palestrantes e conferencistas, já estão confirmados importantes Adriana Amaral, André Lemos, Edvaldo Couto, Marcos Palácios e Raquel Recuero.

Em sua segunda edição, o SIMSOCIAL pretende agregar pesquisadores, professores e estudantes universitários, além de profissionais de instituições relacionadas ao campo da Cibercultura.

Chamada

Desde o início desse mês está aberta também a chamada de trabalhos para os cinco núcleos temáticos. O processo de submissão será realizado através do envio de trabalhos completos até 30 de julho. A avaliação pela comissão científica privilegiará a originalidade e qualidade dos trabalhos, bem como a diversidade de temáticas que tem se destacado no campo dos estudos em tecnologias digitais. O resultado será divulgado no dia 3 de setembro.

Calendário

06 de julho a 30 de julho – chamada de trabalhos
05 de agosto a 05 de outubro – inscrições
03 de setembro – divulgação dos resultados dos trabalhos aprovados
10 e 11 de outubro – realização do evento

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A câmara clara

Fui convidado por um editor do Jornal da Cidade (SE) para escrever sobre um livro que estava lendo. Tratava-se de um texto que deveria ser escrito com uma linguagem menos acadêmica (digamos), e que de alguma forma aproximasse o leitor às discussões do autor, numa forma de atraí-lo à leitura do mesmo. Como se trata de uma publicação restrita a um estado, reproduzo aqui uma versão que enviei para o jornal, sobre o livro A Câmara Clara (1980), de Roland Barthes.

Após grande atraso para iniciar essa leitura, o que já estava virando uma dívida minha para com um autor tão caro para a área da fotografia, acabo de ler esta que seria a última obra de Roland Barthes antes do seu falecimento, em 1980.

Vemos nesse livro um autor tomado pela trágica notícia ainda recente da morte da sua mãe. A partir de uma escrita quase biográfica, ele parece tomar o ocorrido como um dos motivos para refletir de que forma as fotografias, e certos detalhes observáveis e apreendidos na observação, são fundamentais para remeter a todo um imaginário que construímos das pessoas, das situações e dos lugares.

Barthes não se posiciona como um erudito que estaria inferindo sobre grandes narrativas fotográficas, mas como certas imagens passam a ter um papel tão importante em nossas lembranças, que estão baseadas nas experiências que temos com esse mundo aí fora. Sendo assim, ele toma para si a imagem de sua mãe ainda muito nova, encostada em uma ponte, como talvez uma das melhores referências que possuía no momento para lembrar daquilo que considera essencial em sua mãe: a afirmação de uma doçura que nunca se perdeu.

Se tentarmos refletir o que o autor procura tratar tendo em vista nosso imaginário, podemos comparar as fotografias que nos deparamos continuamente, ao abrirmos os jornais ou acessarmos algum site noticioso, com aquelas que assumem uma importância fundamental na nossa subjetividade; como um retrato dos nossos pais ou a obra de um fotógrafo que vai nos atingir durante toda a vida.