Salão de Fotografia de Aracaju

Estarei participando de uma coletiva nesse mês, em Aracaju (SE), com duas fotografias. Após um bom tempo sem desenvolver um trabalho, sem desenvolver uma linguagem própria nas artes visuais, voltei a fotografar. E isto tem ocorrido também em decorrência do fato de que, neste ano, passei a ocupar a cadeira de professor substituto de fotografia para as habilitações em comunicação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Pois bem, submeti meu trabalho e fui selecionado para o I Salão de Fotografia de Aracaju, que acontece na Galeria de Arte Álvaro Santos.  Para quem estiver por lá, a abertura será nessa terça (27), a partir das 20h. O período de visitação será entre 28 de Setembro e 22 de Outubro, com horário de 8h às 18h durante a semana e de 9h às 13h nos finais de semana.

Últimas semanas para submissão de trabalhos ao SimSocial

Segue aberto, até o dia 15 de agosto, o prazo para submissão de comunicações aos Grupos de Trabalhos do Simpósio em Tecnologias Digitais e Sociabilidade – SIMSOCIAL, que tem como tema central a discussão sobre “Mídias Sociais, Saberes e Representações”. O evento, gratuito, acontece nos dias 13 e 14 de outubro de 2011, no Campus de Ondina da UFBA, em Salvador, Bahia.

Interessados devem realizar uma pré-inscrição no site gitsufba.net/simposio e enviar os artigos completos, inéditos, para o e-mail simposio2011@gitsufba.net.  A avaliação pela comissão científica privilegiará a originalidade e qualidade dos trabalhos, bem como a diversidade de temáticas, abarcadas pelos Grupos de Trabalho – GTs: (1) Mídias Sociais: Interações e Práticas de Sociabilidade; (2) Mídias Sociais: Consumo e Estratégias de Mercado; (3) Política e Ativismo nas Mídias Sociais; (4) Educação e Mídias Sociais; e (5) Mídias Sociais, Práticas Colaborativas e Jornalismo. A lista de trabalhos selecionados para apresentação será divulgada no dia 05 de setembro. Mais informações sobre o processo de submissão e avaliação podem ser acessadas aqui.

Além da apresentação de comunicações, a programação do SIMSOCIAL prevê a realização de conferências e mini-cursos. O Simpósio tem como público-alvo: pesquisadores, professores, estudantes universitários e profissionais de instituições relacionadas à área. É realizado pelo Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS), da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Informações
http://gitsufba.net/simposio
simposio2011@gitsufba.net

Simpósio em tecnologias digitais e sociabilidade

Estou trabalhando atualmente na organização do SimSocialSimpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade, que acontece nos dias 13 e 14 de outubro de 2011, em Salvador. O evento traz como tema Mídias Sociais, Saberes e Representações, e acontece na Faculdade de Comunicação da UFBA (Campus de Ondina).

Para as conferências, estão confirmadas as presenças do pesquisador e professor da Universidade de São Paulo (USP), Massimo di Felice; da pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernanda Bruno; e da professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Simone de Sá. Além disso, está prevista a apresentação de comunicações em cinco Grupos de Trabalho (GTs), que abarcam temas como: práticas da sociabilidade nas mídias sociais, práticas colaborativas e jornalismo, política e ativismo nas mídias sociais, dentre outros. A submissão será realizada através do envio dos trabalhos completos no período de 02 de junho a 15 de agosto.

Mais informações sobre a chamada de trabalhos podem ser conferidas em http://gitsufba.net/simposio. A avaliação ficará a cargo de uma comissão científica composta de pesquisadores relacionados às áreas dos grupos de trabalho respectivos, e privilegiará a qualidade e diversidade de temáticas que têm se destacado no campo dos estudos em tecnologias digitais.

O evento é uma promoção do Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS), no qual faço parte desde 2009.

Tecnologias
A influência das tecnologias digitais na vida das pessoas vem atraindo cada vez mais a atenção de pesquisadores de diversas áreas. No entanto, o fenômeno ainda não alcançou, na academia, o mesmo destaque que possui em nosso cotidiano. Nessa perspectiva, o SIMSOCIAL tem como público-alvo professores e estudantes universitários, além de profissionais de instituições relacionadas à área. Mais informações podem ser obtidas pelo site http://gitsufba.net/simposio ou pelo e-mail simposio2011@gitsufba.net.

Apresentação no seminário Lugares da Sociabilidade

O evento foi, a meu ver, bastante produtivo e enriquecedor. Principalmente pelo fato de eu ter conhecido um pouco mais das pesquisas do pessoal do Grupo de Pesquisa em Cibercidades (GPC). Pois frequentemente falta um maior diálogo, no geral, entre grupos de pesquisa; e o problema é maior quando se constata ocorrer em grupos pertencentes a um mesmo programa de pós-graduação que, apesar de terem afinidades, não conseguem criam essas parcerias. Parabéns ao pessoal que organizou, e ainda conseguiu transmitir ao vivo pelo justin.tv.

Segue abaixo a minha apresentação no seminário Lugares da sociabilidade (via slideshare):

Lugares da sociabilidade

Discentes da linha de cibercultura discutirão suas pesquisas no ”Lugares da Sociabilidade: I Seminário dos Grupos de Pesquisa em Cibercidades (GPC) e em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS)”, entre os dia 13 e 15 de outubro. Organizado pelo GITS e GPC, ambos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea da UFBA, o evento acontece no auditório da Faculdade de Comunicação, no Campus de Ondina, das 18 às 22 horas .

Os debates vão tratar de questões relacionadas à comunicação, tecnologias e práticas sociais. Os temas a serem abordados agrupam-se em mesas temáticas sobre: Cartografia colaborativa; Game Studies; Dispositivos Móveis e Redes Sociais; Jornalismo Móvel e Mídia Locativa; Interação e Redes Sociais; e Dispositivos Móveis e Jornalismo Digital. Participa também do seminário o professor doutor Vinicius Neto (UFF), proferindo a palestra de abertura “Prática, Comunicação e Espaço. Uma reflexão sobre a materialidade das estruturas sociais”.

Estarei participando do evento com a palestra Compartilhamento de fotografias na web: Estudo dos usuários do site Flickr, a ser realizada no dia 15. Em outra ocasião falarei mais da mesma.

A coordenação do evento é dos professores da UFBA André Lemos (GPC) e José Carlos Ribeiro (GITS). Inscrições gratuitas no Nicom (segundo andar da Facom/Ufba), através do telefone (71) 3283-6182 ou do e-mail nicom@ufba.br. Lembrando que as vagas são limitadas! Veja a programação completa e mais informações aqui.

A criação de redes de compartilhamento de fotografias

A definição do que se entende por redes compartilhamento de fotografias, aqui, delimita-se à formação de agrupamentos humanos – por mais de um nó e conexão – em que é possível estabelecer laços em virtude do compartilhamento de interesses centrados na fotografia. E isto se dá a partir de fotografias exibidas em algum suporte – impresso ou digital -, situadas através da mediação em ambientes físicos ou virtuais.

Carte-de-Visite: criação de Disdéri ajudou na popularização da fotografia e de um formato de cartão usado até hoje, não apenas por fotógrafos

Desse modo, partindo para um plano histórico da fotografia enquanto objeto passível de interações – nesses ambientes físicos -, é considerado aqui o ato de compartilhar a partir do segundo momento do aperfeiçoamento dos processos fotográficos; a saber, a descoberta do cartão de visita fotográfico (carte-de-visite) por André Disdéri (1819 – 1889), que coloca ao alcance de muitos o que até aquele momento, segundo Fabris – em seu artigo A invenção da fotografia: Repercussões sociais – , “fora apanágio de poucos e confere à fotografia uma verdadeira dimensão industrial, quer pelo barateamento do produto, que pela vulgarização dos ícones fotográficos em vários sentidos” (p. 17).

O primeiro momento estende-se de 1839 aos anos 1850, quando o interesse pela fotografia se restringe a um pequeno número de amadores, provenientes das classes abstadas, que podem pagar os altos preços cobrados pelos artistas fotógrafos. Dessa forma, esse momento é restrito a apenas uns poucos afortunados, que queriam ter seus registros visuais, e não se interessavam até então a estabelecer uma cultura visual, na qual fotografias são compartilhadas.

Já no segundo momento histórico, a construção de representações passa a fazer sentido quando Disdéri fotografa o cliente de corpo inteiro e o cerca de artifícios teatrais que definem seu status, longe do indivíduo e perto da máscara social, numa forma de representação de si em que se fundem o realismo essencial da fotografia e a idealização intelectual do modelo. Segundo Fabris (p. 21):

É por isso que não hesita em embelezar o cliente, aplicando a técnica do retoque. O “agradável”, ameaçado pela exatidão da fotografia, torna-se o grande trunfo do fotógrafo industrial, que pode fornecer à clientela sua imagem “num espelho”… complacente.

Nessa citação, é percepetível aqui já toda uma estatégia de gerenciamento de impressões; isto porque aquele fotografado tinha a preocupação em se representar para aqueles que compartilhava, de modo a revelar traços positivos de si.

Por volta de 1880, tem início a terceira etapa: é o momento de massificação, quando a fotografia se torna fenômeno prevalentemente comercial, sem deixar de lado sua pretensão a ser considerada arte; como também a discussão, à época, sobre os limites da pintura figurativa em apresentar o “mundo real” – algo que só seria possível pela fotografia, como defendiam alguns adeptos desse novo meio.

É nesse momento, principalmente com a produção das câmeras compactas, e o surgimento de uma grande indústria de câmeras – a Kodak, de George Eastman (1854-1932) -, que é possível perceber como a partir daí as fotografias criam uma cultura de compartilhar, que até o momento atual faz com que indivíduos participem; porém, a partir da década de 1990, através da internet, houve uma ampliação na difusão das fotografias, e no estabelecimento e manutenção de laços com aqueles fisicamente distantes. Nesse ambiente, outra tecnologia se torna fundamental para o crescimento no uso: a digitalização da imagem. Mas isto já é outra história.

Arte e comunicação: aproximações com a arte telecomunicacional

As mudanças no fazer fotográfico foram causadas pela velocidade dos meios de transporte, pela globalização político-social, pelo desenvolvimento de tecnologias de comunicação e com o surgimento do ciberespaço. Com a internet – através de sites de compartilhamento –, a comunicação entre os próprios artistas ou entre artistas e público possibilita algo mais direto, pois o artista sempre estará visitando a “galeria” para observar como usuários interagiram com as fotografias – quais as mais comentadas, as mais visitadas, as mais indicadas. É também uma forma de comunicação – uma arte telecomunicacional. Esta seria definida por Roy Ascott[1] como toda a produção artística que faz uso das tecnologias telecomunicacionais para se expressar: por fios, ondas sonoras, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético.

Esses artistas estavam alinhados aos questionamentos conceituais sobre o objeto de arte que acabaram culminando em eventos de performance, happening, arte em processo e utilização de novos meios de comunicação, como as máquinas fotocopiadoras, as serigrafias, o off-set, os postais as fotografas e os diapositivos. O início se dá na arte postal, na medida em que esta propunha o intercâmbio de trabalhos através de uma rede transnacional e livre e paralela ao mercado oficial da arte.

Arte postal de Paulo Bruscky (sem título, acervo pessoal, 1976), pioneiro no Brasil nesse campo e um dos maiores colecionadores no mundo

À medida que a rede de arte postal crescia, grupos publicavam listas de endereços para interessados em trocar trabalhos e idéias. Suzete Venturelli[2] conta que como a maioria dos trabalhos estavam relacionados com a arte conceitual e a performance, cujos resultados eram fotografados, e muitas correspondências constituíam-se dessas imagens. “A natureza democrática de sua prática e o fato de constituir uma rede situaram-na em oposição ao elitismo da arte de galerias e museus”.

Já com a pop-art, a relação da arte com os meios de comunicação estreitaram-se por meio de artistas como Roy Lichtenstein, Andy Warhol e Tom Wesselman. A rede que se formava fora do mercado e das instituições criava uma “economia do imaterial”, diz Venturelli: idéias e discussões compartilhadas, sendo as obras não mais vendidas como únicas. Décadas seguintes foram marcadas por forte experimentação com os meios tecnológicos e comunicacionais que, com o tempo, surgiam e se apresentavam aos artistas como possibilidades de criação e difusão. A exenplo de investidas na arte em vídeo, na holografia e no computador.

Portanto, já existia uma arte que fazia uso de redes sociais de compartilhamento antes da internet; porém, são percebidas aqui duas diferenças: a amplitude da rede social e a possibilidade de englobar rapidamente novos fruidores que não sejam apenas artistas; pois na internet a possibilidade de comunicação se amplia e o pólo emissor (artista) pode se comunicar de um ponto a diversos de uma rede sem ao menos endereçar a alguém especificamente – basta estar no ciberespaço, com seu trabalho divulgado em qualquer página da web. Não deve se esquecer aqui o fato de que os próprios museus e galerias, pela quantidade de pessoas envolvidas no fazer das exposições – artistas, curadores, produtores, público – já se constitui uma rede, embora não telecomunicacional como aqui exponho. A mediação, nesse caso, se dá através das mídias e do artista, e não pelas instituições e curadores.

Esse ciberespaço, diz Venturelli, tornou-se um lugar de aproximação e sociabilização da arte e do público, sem intermediação de instituições artísticas, tais como museus, galerias de artes e eventos como as bienais. O advento de meios eletrônicos se constituiu em algo algo de valor para a criação de obras intercambiantes e mutantes, abertas na direção de uma cultura através de redes sociais. Assim, percebe-se que a relação estabelecida entre a arte e o espaço comunicacional, principalmente longe dos habituais espaços de exposição artísticos, é uma morada dos trabalhos artísticos há mais de 20 anos.


[1] Livro Telematic Embrace: Visionary Theories of Art, Technology and Consciouness (2003).

[2] Livro Arte: Espaço tempo imagem (2004).

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